Falando Sobre: Boyhood – Da Infância à Juventude

Esse fim de semana fui assistir, no Espaço Itaú de Cinema, na Rua Augusta, o famoso filme “Boyhood – Da Infância à Juventude”. E gente, que filme lindo, sublime e delicado. A grande sacada desse filme é a forma como ele foi filmado. O diretor Richard Linklater inovou na forma de filmagens e acompanhou o processo de crescimento, da infância à juventude durante 11 anos. O longa começou a ser filmado em 2002 e teve seu encerramento em 2013. Então, só por isso já chama atenção. São os mesmos atores principais que você vê ali, crescendo e amadurecendo a olho nu. O filme tem quase 3 horas de duração, e mostra a vida de Mason (criança, no início, e personagem principal) dos seus 6 aos 18 anos. Pode parecer um filme chato, que dá preguiça, mas é muito pelo contrário. A vida, de fato, entretém. Não precisa de grandes clímax, de grandes reviravoltas. A simplicidade com que o longa aborda as fases da vida são suficientes para você não despregar o olho da tela.

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O filme é simplesmente isso, conta a vida de Mason durante os anos, e, é claro, de sua família. Ethan Hawke e Patricia Arquette interpretam os pais de Mason, e vejam, são atores super reconhecidos e participaram desse projeto durante 11 anos. Maluco, né? Whatever, no longa, os dois são divorciados e tentam levar a vida e educar os filhos da melhor forma possível, e passam por perrengues que qualquer pessoa comum passa. Mason também tem uma irmã, Samantha, e juntos fazem cenas inesquecíveis. Logo no começo do filme, uma das cenas mais engraçadas (e muito reais para quem tem irmãos, diga-se de passagem) e emblemáticas é protagonizada pelos dois: Samantha cantando Ops I Did It Again à capela da Britney Spears só para irritar o irmão. Outras cenas são inesquecíveis e igualmente sublimes: o primeiro amor de Mason, os embates com os namorados e novos maridos da mãe, a descoberta da sexualidade e muitas outras coisas.

É engraçado como é nítido o amadurecimento dos personagens ao longo do filme. E Linklater dirige essa mudança com maestria. Não só Mason amadurece na pré-adolescência para a vida adulta, mas os seus pais também amadurecem. É lindo ver como a vida é mutante, e como os acontecimentos e experiências que vivemos moldam o nosso caráter, a nossa personalidade. A trilha sonora do filme também é memorável, bem como a fotografia. Outro aspecto interessantíssimo do filme são as referências do tempo em que foram filmados. Normalmente, quando um filme atual se refere ao passado, são necessárias pesquisas temporais de estilo, linguagem e muitas outras coisas. Como o filme começou a ser filmado no início dos anos 2000, isso não foi necessário, já que eles, de fato, estavam naquela época. Então você vê celulares antigos (famosos tijolões), cortes de cabelo e sua evolução, moda e muito mais.

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O personagem de Mason, especificamente, é extremamente bem escrito e interpretado maravilhosamente por Ellar Coltrane, inclusive quando criança. Ele faz o papel com uma naturalidade incrível, e é lindo ao final do filme quando você percebe que ele cresceu, como amadureceu e tomou as rédeas e fez o caminho de sua vida. De fato, ao fim do filme, você quer saber mais da vida dele, o que aconteceu depois dali. Essa é a grande mágica do filme, e realmente não há nenhum grande momento, mas é como a vida, há vários acontecimentos, uns mais marcantes que outros, mas todos igualmente importantes para sermos quem somos. É um filme sobre a vida. É um filme maravilhoso. Merece ser assistido pela inovação na indústria do cinema, bem como pela história e sua sensibilidade.

Veja o trailer oficial:

Um beijo, e até amanhã!

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4 comentários sobre “Falando Sobre: Boyhood – Da Infância à Juventude

  1. Oi Jú, tudo bem?

    Assisti ao filme ontem pela primeira vez numa versão baixada em alta qualidade. Logo vim ler seu post porque fiquei curiosa em saber a opinião de alguém que não esteja profissionalmente envolvido com cinema, como eu e as pessoas próximas a mim estão. Isso porque não consegui deixar de assistir ao filme enquanto realizadora, que ficou o tempo inteiro pensando na dificuldade de produção e execução do projeto, tentando imaginar como foram os contratos com os atores, as estratégias de direção, a formas de roteirização, a formação da equipe e etc.

    Claro que isso não ocorre apenas para quem estuda e trabalha com cinema. A passagem do tempo como tal, com o cinema levado ao seu extremo, torna a presença do aparato cinematográfico evidente para qualquer espectador, eu imagino. A inovação cinematográfica sempre me encanta e por isso acho mais do que merecido dar uma estatueta da Academia, com todas as suas balelas e com todos os seus louros, para essa experiência fílmica.

    Discordando um pouco de você, acho que o filme tem problemas de inserção no tempo. Se no começo o diretor usa (e abusa) de referências imagéticas e sonoras (direção de arte e trilha sonora), a partir do meio do filme essas referências não se sustentam. Os personagens se isolam de um contexto, do mundo. E aí se perde um dos encantos que eu havia visto inicialmente na obra.

    Também tenho dificuldade de entender a relação entre o recurso cinematográfico e a obra fílmica (ou o recurso cinematográfico NA obra fílmica, se tomarmos as duas coisas como indissociáveis). Para mim Boyhood é um filme espetáculo, em que você se senta para assistir à contemplação do tempo. A vida talvez tenha me entretido, mas neste caso não me bastou.

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    • Oi Mari!! Td bem e com vc?? Poxa, que legal que você lembrou de mim e veio ver o post. Acho super legar ver outra opinião, ainda mais de alguém que tem um envolvimento mais técnico e apurado do que eu, como leiga e apenas apreciadora, tenho. Eu gostei muito do filme, sempre me dá uma sensação boa quando lembro dele, sabe? Achei lindo!! Mas adorei saber sua opinião!! Tem visto algum dos indicados que vc curtiu? Me conte 🙂 .. Super beijo!!!

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      • Cê achou o filme longo ou deu para aguentar as quase 3 horas de boa?

        Ai, tô tentando ver os indicados a melhor filme e melhor filme estrangeiro, mas estou devagar. Vou comentando nos posts conforme você for escrevendo e eu assistindo haha 🙂

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      • Olha, achei mto de boa! Tanto que quando terminou, queria ver mais! Hahaha.. Ainda tenho que ver os estrangeiros tbm, por enquanto só estou com o Relatos Selvagens!! Ahh que bom, comente mesmo, vou adorar saber suas opiniões, Mari 🙂

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