Falando Sobre: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

É pessoal, não deu outra: Birdman foi o grande vencedor do Oscar 2015, levando para casa as estatuetas de melhor filme, melhor roteiro original, melhor fotografia e direção. Infelizmente Michael Keaton não levou o prêmio de melhor ator principal, mas temos que admitir que Eddie Redmayne estava impecável como Steve Hawking e foi um fofo ao receber o prêmio. Em janeiro organizei uma listinha de filmes que gostaria de assistir antes da transmissão do Oscar, que ocorreria em 22/02. Infelizmente não vi todos. 😦 Dos nove listados, assisti a seis: A Teoria de Tudo, Boyhood, Whiplash, Birdman, Livre e Grande Hotel Budapeste. Não consegui assistir Sniper Americado, Jogo da Imitação e Foxcatcher. #todaschora. Mas ainda assistirei! E hoje, falaremos de Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância).

Birdman-Michael-Keaton

Birdman conta a história de Riggan Thompson (Keaton), um ator já no auge dos seus 50 anos que, após fazer muito sucesso na sua juventude como protagonista de um filme de super-herói (o Birdman), caiu no esquecimento. Birdman era uma trilogia, e fez muito sucesso em sua primeira e segunda versão, mas, ao recusar fazer parte do terceiro filme, Thompson vê sua carreira rolando ladeira abaixo. (Michael Keaton também interpretou Batman e, antes de Birdman, foi o último papel em que teve mais notoriedade. Será coincidência? i don’t think so..) Já mais velho, e esquecido, Riggan tenta se reerguer e voltar ao show business como diretor e ator de uma peça de teatro dramática a ser apresentada na Broadway.

O filme situa-se, basicamente, no palco do teatro entre ensaios, apresentações, estreias, pré-estreias, camarins, making-offs, entre outros, e os outros atores que participam da peça de Riggan também são fundamentais para a montagem da trama, e suas histórias secundárias são interpretadas com muita coesão e intensidade, como o ator jovem e tido como gênio, apesar de excêntrico e com ego inflado (atuado pelo Edward Norton), a filha que vive à sombra do pai à espera de afeto, de atenção e cuidado (interpretado pela linda-maravilhosa-tudodebom Emma Stone), a atriz que vive relembrando e sofrendo sobre suas antigas histórias de amor (interpretado pela Naomi Watts). O elenco do filme é incrível, todos tem um peso dramático e intenso muito presentes, até Zach Galifianakis surpreende – e muito – como produtor do teatro em busca incessante por patrocinadores e sucesso.

A relação de Riggan com Birdman é presente e marcante durante todo o filme, pois o ator tem conversas profundas e reveladoras com o seu antigo eu; e esses diálogos são primorosos. Cheio de sarcasmo e humor negro, o filme é daqueles que alguns vão achar maravilhoso, excepcional e genial, e outros vão achar sem sal, chato e parado. É daqueles que vai dividir o público, mesmo. Eu confesso que saí do cinema um pouco “decepcionada”, mas fui amadurecendo o filme e com o passar do tempo, e das reflexões acerca dos temas abordados, Birdman foi crescendo “em mim” e eu fui achando-o cada vez mais incrível. No momento do Oscar, já estava torcendo para ganhar os grandes prêmios. Coisa doida! Outro ponto altíssimo do filme é a trilha sonora, toda feita na bateria. A mixagem e montagem são incríveis, e totalmente sintonizadas com o momento pelo qual os personagens estão passando. É, bateria está em alta: Birdman e Whiplash! 🙂

Birdman é dirigido pelo diretor mexicano Iñárrittu e uma das grandes inovações está no plano sequência: a câmera acompanha o movimento dos atores, “anda” junto com as pessoas praticamente a todo o tempo. Então dá-nos a sensação de estarmos, de fato, no backstage de um teatro. É absurdo, parece que o filme foi feito em um único take. Apesar dessa inovação, na minha opinião, isso trouxe uma lentidão ao filme. Lembro que olhei para o relógio durante o filme, para ver se já estava acabando, e estava, ainda, na metade: o longa tem 1h59m, bem normal para os padrões Oscar. Birdman é um filme genial e uma crítica ferrenha ao mundo do entretenimento e pela busca incessante pelo sucesso, regado a atitudes egocêntricas e egoístas. Michael Keaton está maravilhoso como Riggan, e os momentos em que ele conversa com Birdman são, para mim, os melhores de todo o filme.

Birdman merece MUITO ser visto, Iñárritu e equipe fizeram um trabalho esplendoroso, memorável.

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